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Caminhando para a Eliminação da Sífilis
Congênita
Em 1905, pesquisadores alemães, Fritz
Richard Schaudinn e Paul Erich Hoffmann descreveram
o Treponema pallidum como o agente causador da sífilis.
Em 1906, o bacteriologista August Paul von Wassermann
desenvolveu a primeira sorologia para sífilis (Lues).
Embora essas descobertas sejam altamente efetivas e muito usadas na
prática médica e que o tratamento da sífilis seja
uma realidade há pelo menos 50 anos, a doença se mantém
como um sério problema de saúde pública em todo
o mundo.
A sífilis congênita (SC) tem representado um grande desafio
à saúde pública, no Brasil, pela sua elevada prevalência
e graves seqüelas perinatais.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera
que a doença é eliminada quando existe a ocorrência
de menos de um caso para cada 1.000 nascidos vivos.
A maioria dos municípios brasileiros está muito longe
dessa meta.
O governo brasileiro assinou um protocolo junto à OMS, em 1992,
comprometendo-se a eliminar a SC, até o ano 2.000.
A SC é uma doença sentinela. Isto quer dizer que, quando
ela está presente, e sem controle, a saúde pública
tem sérios erros estruturais.
A SC é o resultado da transmissão da sífilis, da
gestante infectada não tratada ou inadequadamente tratada, para
o seu bebê, através da placenta. Sabe-se que a transmissão
vertical (da mãe para o filho) da doença pode ocorrer
em qualquer fase da gestação.
Nas gestantes, com sífilis recente não tratadas, a taxa
de transmissão vertical é de 70% a 100%, e na tardia de
30% a 40%, podendo ocorrer abortamento, natimorto ou morte perinatal
em aproximadamente 40% das crianças infectadas.
Mais de 50% das crianças infectadas não apresentam sintomas
ao nascer, porém pode levar a graves seqüelas, daí
a importância da triagem sorológica da mãe na gravidez
e parto.
No Brasil a taxa de prevalência de sífilis em gestantes
é 1,6%. Com essa prevalência, em três milhões
de partos realizados a cada ano calculam-se cerca de 48.000 gestantes
com sífilis e a ocorrência de 12.000 casos de SC. Apesar
de ser um agravo de notificação compulsória, apenas
30% desses são notificados por ano no Brasil.
O exame para sífilis é um direito da mulher durante o
pré-natal e no parto, assegurado pelas portarias ministeriais
569/00 e 766/04, porém a maioria das mulheres desconhece esse
direito.
No Brasil, no período de 2000 a 2005 houve 24.761 crianças
internadas por SC, o que custou ao País mais de R$ 10 milhões,
gastos esses que poderiam ter sido minimizados.
Em janeiro deste ano nova portaria (GM 156 de 19/01/06) determina a
utilização da penicilina pelas Unidades Básicas
de Saúde e demais unidades do SUS.
A despeito de tudo que foi descrito, o controle da SC continua sendo
um desafio para os gestores e profissionais de saúde.
Em suma, são necessárias ações para o fortalecimento
do Dia Nacional de Combate à Sífilis Congênita:
caminhando para a eliminação da sífilis congênita,
porque:
apesar de:
- existir protocolo para o manejo clínico laboratorial da doença,
- ser uma doença de fácil diagnóstico,
- existir a disponibilidade do diagnóstico na rede pública
de saúde,
- ser uma doença curável com tratamento eficaz e de baixo
custo,
- a medicação específica está disponível
na rede pública de saúde,
- o pré-natal tem cobertura de mais de 90% no país,
ainda:
- existe a invisibilidade da sífilis como um problema de saúde
pública,
- a população desconhece sinais e sintomas da sífilis,
- a população desconhece a gravidade e complicações
da infecção para a criança,
- os profissionais nem sempre cumprem os protocolos estabelecidos,
- uma parcela considerável de gestores não mantém
uma qualidade da atenção ao pré natal com fluxos
de acesso a exames, resultados e tratamentos burocratizados, lentos
ou inexistentes.
Essa data será oficializada no VI Congresso da SBDST e II Congresso
Brasileiro de Aids a se realizar de 17 a 20/09/06, em Santos, e ficará
acordado que ocorrerá em todo 3º. sábado de outubro,
neste ano no dia 21 e pretende-se com ela que se amplie o debate nos
vários segmentos da sociedade, diminuindo o estigma em relação
às DST, a sífilis se torne mais visível, como um
problema para a população e que isso contribua para o
alcance da eliminação da sífilis congênita
no Brasil – Eliminasífilis.
A programação geral em cada cidade que aderir, tendo o
apoio do Programa Nacional, Estaduais e Municipais de DST/Aids, perpassa
por:
• Uma atividade para profissionais de saúde (palestra,
simpósio, seminário sobre sífilis e SC);
• Uma atividade para estudantes do ensino fundamental (8a. série)
e/ou para ensino médio;
• Uma atividade para a população em geral (passeata,
distribuição de folhetos, tendas na praça, em estações
rodoviárias, ferroviárias, metrôs...)
• Apoio e divulgação pela mídia.
Sociedade Brasileira de DST,
Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia,
Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Infectologia,
Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, de
DST, Sociedade Brasileira de Urologia, Programa Nacional de DST/Aids-MS,
Programa Nacional de Saúde da Criança-MS, Programa Nacional
de Saúde da Mulher-MS, Departamento de Atenção
Básica-MS e Eliminasífilis
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